O dia que a Nutrição foi uma maré

Há momentos que passam para a história. A história não se escreve só ela, desde que a escrevemos as pessoas.

Podemos dizer que há momentos em que acontecem pontos de inflexão. Em 10 de maio foi um desses dias: Uma manifestação organizada a partir da base da preocupação centrada no serviço e atendimento dietético para a cidadania, chamava a mobilização em frente ao Ministério da Saúde de nosso país.

Foto #SanidadDesnutrida (Imagem: Oscar Picasso)

Nós fizemos história, fizemos abacaxi, fizemos profissão, e quem não quis, não estava.
Não reclamo de nenhuma humilhação pública, nem um escárnio, nem um desses escraches nutricionais que muitas vezes convido a fazer a empresas, produtos e instituições que não cumprem com o seu compromisso.

Não usarei este evento para esfregar e apontar o que não foi. Não peço castigo, só desejo que a passividade tenha a amarga sensação de estar no sofá e tivesse em algum momento um nó no estômago pensando “eu deveria estar lá”.

Tenho dito muitas vezes que, se não a divulgamos nos vão divulgar (falando da Nutrição), e quero acrescentar que, se não a reivindicar, nos vão reivindicar; e me refiro a outros coletivos.

Quem quis pensar, a título individual ou coletivo, que isso não estava andando, quando correspondia ou como correspondia, que você continue pensando. Mas que se olhe em seu interior se isso justificava o ficar em casa.

Eu, pessoalmente, o cenário era claro: o momento foi no domingo passado, as reivindicações justas, mas o que há do organizador? será que era certo?
Talvez não o mais oficial. Mas talvez o que não teve reparo para fazê-lo, e talvez o que sempre fez, sem se sentir preso a nada.

Mas o post não é isso. Vai de uma satisfação, é uma vitória. A vitória de crer-nos melhores do que pensávamos, uma injeção de motivação para uma profissão que às vezes é percebido como individualista e que cada um faz a guerra por sua conta.

Saúde Desnutrida chegando a Cibele (Imagem: Fernando Sanches)

O que, sem dúvida, foi visto em o resultado é um fato: O sucesso é o reflexo fiel de que isso nada tem sido precipitado, nem feito de ânimo leve, nem sem planejar o suficiente. Espelho em diferentes meios: A Sexta, EuropaPress, Rádio Nacional e até mesmo internacional.

Vos sou sincero, eu egoisticamente que eu precisava. Precisava de saber que havia pessoas em suas casas, que esperava isso. Precisava ver que existem pessoas que você pode gastar seu dinheiro em vir para protestar contra uma manhã o que você acha que é justo. Precisava de saber que além de Redes Sociais, existem pessoas com suficiente empenho, valores e ambição para me fazer ver que somos uma profissão de grande porte.

O trabalho que levou planejar esta manifestação tem sido enorme. E só as pessoas que vimos isso de perto, podemos fazer uma mínima idéia. Não gosto de falar de personalismos, porque as verdadeiras satisfações são usados por dentro, mas isso vai para a comissão manifa:

Não vai de focos sobre algumas pessoas, porque isso não vai de egos. De fato, as intervenções têm sido muito diversificadas para que não se associe a ninguém. As comunicações foram acéfalas, tanto de Luis, Bárbara como servidor. Somos verderamente conscientes que encerra algo assim.

Graças, sobretudo, a Bárbara por ter se multiplicado, e graças Luka por priorizar o que muita gente não faria em uma situação semelhante. Graças a Lúcia por como és, e fazer-nos ser melhores. E obrigado JJ, pela sua humildade e pelo que toca agora no futuro. Obrigado a toda a equipe de DSP por ser a vanguarda que criou isto: O dia em que a Nutrição se tornou Maré Branca.

O que eu disse no encerramento das #JornadasDSP. Tenho visto em algumas pessoas, colegas de profissão, o que só tinha visto na minha dedicação como voluntário.

A excelência do que falava na sessão do código de ética profissional. A profissão faz-se atuando de maneira exemplar. As horas, os desgostos, o esforço, a ilusão atirado em todo este projeto é o que lhe dá valor.

Saúde Desnutrida chegando a Sol (Imagem: Fernando Sanches)

Qual é este projeto? Não tem nome, não se chama Dietética sem Patrocinadores, não é #JornadasDSP, não é #SanidadDesnutrida. É esse algo que sabeis que está mudando. É difícil descrever mudanças de paradigma, é difícil fazer compreender que as regras do jogo às vezes se mudam, mesmo que não estejam escritas.

A gente não sabe muito bem o que está mudando, mas está mudando:

O associativismo universitário se torna forte. Com uma FEDNU enorme, que é às vezes o que dá lições aos “adultos”.

Pessoas que pensavam que os Técnicos Superiores em Dietética eram o inimigo, e talvez agora o vêem diferente.

Haverá pessoas que tinham em mente que as coisas não poderiam fazer de forma diferente, que não se pode entrar a participar de uma entidade porque sim. E DSP vai jogar como quiser a gente.

Eu não sei sabe o que… mas algo está mudando.

Que bonito vai ser limitado a fazer o que ela quer da gente. Que tranquilidade de consciência aberto, somar, participar… dizemos em ASDE isso de que “se aprende A participar, participando”. Que prazer poder ser um pouco scout em minha profissão!

Tenho visto como o altruísmo continua dando lições de como fazer coisas para abordagens puramente profissionais.

Eu vi lutar para muitos David, contra o nosso Golias de mentiras e manipulação. E ver como se consegue que a gente abra os olhos, veja que a propaganda engana, que a Indústria muitas vezes marca as regras do jogo, e isso é inadmissível, se estivermos preocupados com o bem-estar da população.

Porque no dia que meus filhos me perguntam onde estava o 15M lhe dizer que eu estive lá!!!: Que passei a noite com amigos e desconhecidos. Que reivindiqué não só na rua, mas com cada ato, o que sempre acreditei justo.

Porque o dia que as futuras gerações de Nutricionistas-Nutricionistas-me perguntem onde eu estava, nesse dia, lhes possa dizer, eu estava lá mesmo!: acenando para pessoas que nunca tinha visto, bebendo água de garrafas de desconhecidos, abraçando meus colegas de profissão.

Aqueles que um dia deixaram de ser negação, e se tornaram amigos.

Porque a resposta era simples, e não havia outro lugar melhor onde quisesse estar nesse dia.

Não havia motivo para ficar em casa.

Equipa de gestão de DSP até a sua organização (Oscar, José, Lúcia, JJ, Bárbara, Carlos Afonso, Carlos, Paulo, João, Nuno, Luis, Paloma e Marc). Faltam-Nos na foto Carlos e Virgínia.

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